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Arlindo Cruz e a arte do Pagode: Como unir o pagode com a linguagem do choro.

Foto do escritor: Rafael Esteves
Rafael Esteves
20 de mai.
3 min de leitura

Atualizado: 9 de jun.


O pagode tem uma malandragem elegante que é a assinatura do mestre Arlindo Cruz. Quando escutamos “O Bem”, lançada em 2012 no álbum Batuques e Romances, a melodia parece flutuar de forma simples, com notas espaçadas e frases curtas. Mas, por trás daquela mensagem poderosa sobre empatia, existe um casamento perfeito entre a tradição do samba de terreiro e as harmonias modernas que o Cacique de Ramos ajudou a consolidar. A melodia de 'O Bem' é construída com poucas notas, mas possui um fraseado extremamente cantável. As pausas têm tanta importância quanto os sons, criando uma sensação de conversa que dialoga perfeitamente com a música brasileira.


Para mim, Arlindo sempre foi uma referência de como simplicidade e sofisticação podem caminhar juntas. O bandolim é um instrumento com um enorme manancial de linguagens dentro do choro, e acredito que a união entre essa sofisticação melódica do Arlindo e a linguagem do bandolim chorão cria um resultado extremamente rico.


Durante muito tempo, parecia existir uma barreira invisível entre o universo do choro e o do pagode. Mas, toda vez que eu tocava Arlindo no bandolim, percebia que essa fronteira fazia menos sentido. Aos poucos, fui entendendo que a musicalidade brasileira é muito maior do que os rótulos que criamos para ela.


Quando executo essa música, sempre me atento a três pontos importantes:


1. O bandolim não é um instrumento que toca apenas choro


Apesar da distância social que muitas vezes colocam entre o choro e o pagode, eu enxergo uma proximidade muito grande entre esses gêneros, por mais que alguns chorões mais ortodoxos fiquem chateados comigo rsrs.


Ver uma música do Arlindo sendo executada no bandolim mostra o quanto esse instrumento é capaz de dialogar com diferentes universos musicais e como ele é digno de todas as formas de criatividade.


2. Para tocar gêneros diferentes, precisamos criar uma imersão de repertório


É impossível criar uma ponte verdadeira entre choro e pagode sem viver profundamente esses dois universos musicais. Para alcançar esse tipo de linguagem interdisciplinar, é necessário beber na fonte de ambas as tradições com propriedade.


Não basta tocar as notas. É preciso absorver a forma de frasear, a divisão rítmica, a intenção e até a maneira como cada gênero respira.


3. Criatividade e improvisação devem caminhar juntas


Misturar a melodia principal com frases que se entrelaçam ao longo da execução exige criatividade e percepção musical. Trata-se de tocar o original sem perder a capacidade de criar respostas melódicas que dialoguem com a própria canção.


Nesse processo, a improvisação deixa de ser apenas um recurso técnico e passa a ser uma ferramenta de expressão.


Aprender repertório, por si só, não basta. A linguagem do choro e do pagode nasce da vivência. Para entender de verdade esses universos musicais, é preciso frequentar rodas, ouvir os mestres. O verdadeiro aprendizado acontece nesses pequenos detalhes de sensibilidade, escuta e postura musical.


E foi justamente entendendo isso ao longo da minha trajetória que comecei a enxergar o repertório não apenas como uma sequência de músicas, mas como um caminho de construção musical e identidade artística.


Por isso, além dos conteúdos que compartilho aqui no site e nas redes sociais, eu também disponibilizo aulas avulsas de mentoria, nas quais ajudo cada aluno a montar um repertório coeso de acordo com o seu momento musical, seus objetivos e o gênero que deseja desenvolver com mais profundidade.


Seja no choro, no samba ou no pagode, a escolha certa das músicas pode acelerar muito a sua evolução técnica, interpretativa e criativa.


Se você quiser desenvolver uma linguagem mais madura no instrumento e construir um repertório que realmente faça sentido para a sua musicalidade, os meus horários de mentoria estão disponíveis aqui no site.



Bons estudos e nos vemos no próximo som!

 
 
 

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